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Hamas e o Espírito de Amaleque

Por Equipe G. Gospel em 12/10/2023 às 16:56:26

O ataque covarde dos terroristas do Hamas às comunidades do sul de Israel n√£o somente pegou de surpresa todo o pa√≠s em uma manh√£ de Shabbat e feriado nacional de Simchat HaTorah — a Alegria da Tor√° — em que se celebra com muitas dan√ßas, c√Ęnticos e j√ļbilo a Palavra de Deus. Esse ataque revelou ao mundo o que o povo judeu j√° sabe h√° muitos anos que é a face mais cruel e b√°rbara dessa fac√ß√£o terrorista. Um dia que, por mandamento na Tor√°, devia ser de alegria transformou-se em caos, luto e ang√ļstia em todas as comunidades judaicas do mundo.

Nessa guerra, muito se tem falado sobre a crueldade dos terroristas do Hamas, homens que, desde sua tenra inf√Ęncia, s√£o doutrinados a odiar os judeus simplesmente por serem judeus, independentemente de seus atos ou palavras. Pouco, porém, se tem falado sobre a origem espiritual desse ódio, o que leva a um conflito permanente, n√£o somente em nossa gera√ß√£o. Esse é um fato milenar e que, acreditem, n√£o acabar√° com essa guerra, ainda que se exterminem todos os terroristas do Hamas.

Indubitavelmente, os v√≠deos e as imagens da barb√°rie cometida pelo Hamas, que percorreram os quatro cantos da Terra, geram em qualquer pessoa de boa moral uma revolta incontida. Quem em s√£ consci√™ncia acharia normal a decapita√ß√£o de beb√™s e a execu√ß√£o de crian√ßas de colo, ou o assassinato brutal de pais dentro de seus próprios lares na frente de seus filhos e vice-versa? Sim, isso gera revolta e ira generalizada em qualquer ser humano de bem. Advirto, no entanto, para que n√£o se caia na armadilha do ódio direcionado a pessoas por mais vis e cruéis que sejam elas.

Deus ir√° inevitavelmente julgar cada terrorista do Hamas que ter√° de pagar por seus atos, ainda que consiga escapar das For√ßas de Defesa de Israel ou das autoridades do pa√≠s. O inimigo quer realmente que nos igualemos a si pelo ódio e, se conseguir isso, ter√° atingido seu intento, pois um cora√ß√£o dominado pelo ódio jamais poder√° ser usado pelo Esp√≠rito de Deus. Se quisermos compreender esse conflito, precisamos tirar o foco do que é carne e sangue, pois, antes de tudo, essa é uma guerra espiritual.

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"Lembra-te do que te fez Amaleque"

A primeira batalha na história de Israel ocorreu ainda em sua peregrina√ß√£o no Sinai a caminho da Terra Prometida, quando Amaleque executou um ataque covarde aos mais fracos do povo. A peleja se deu em Refidim e foi conduzida por Josué que liderou o exército israelita. Moisés sabia que aquela batalha n√£o poderia ser vencida apenas com espadas e lan√ßas e, por isso, subiu ao monte com Ar√£o e Hur para interceder a Deus. Ele compreendeu que n√£o era uma batalha comum, mas espiritual e, sendo assim, teria que ser travada no espiritual, enquanto se desenrolava no plano f√≠sico. Aquela foi uma batalha vencida no sobrenatural, pois Israel nem mesmo tinha um exército preparado para a guerra.

Após a vitória, a ira de Deus pode ser percebida em suas palavras a Moisés: "Escreve isto para memória num livro (...) porque riscarei totalmente a memória de Amaleque de debaixo dos céus (...). O Senhor far√° guerra contra Amaleque de gera√ß√£o em gera√ß√£o" (√äxodo 17:14-16). Muitos anos depois, antes de entrar na Terra Prometida, Moisés faz uma grande recapitula√ß√£o das li√ß√Ķes aprendidas durante os quarenta anos no deserto para todo o povo. Nas campinas de Moabe, com o povo ouvindo-o atentamente, ele diz:

"Lembra-te do que te fez Amaleque no caminho, quando sa√≠as do Egito; como te saiu ao encontro no caminho, e feriu na tua retaguarda todos os fracos que iam atr√°s de ti, estando tu cansado e afadigado; e n√£o temeu a Deus. Ser√°, pois, que, quando o Senhor teu Deus te tiver dado repouso de todos os teus inimigos em redor, na terra que o Senhor teu Deus te d√° por heran√ßa, para possu√≠-la, ent√£o apagar√°s a memória de Amaleque de debaixo do céu; n√£o te esque√ßas." (Deuteronômio 25:17-19)


A guerra permanente contra Amaleque

Amaleque era neto de Esa√ļ, de quem descendem os povos √°rabes. Antes mesmo do isl√£ existir, seus antepassados guerreavam contra Israel. Essa é uma guerra entre irm√£os que se iniciou no ventre de Rebeca, quando Esa√ļ e Jacó brigavam entre si. Amaleque é uma semente de Esa√ļ que foi amaldi√ßoada por Deus por causa da covardia e crueldade contra seu irm√£o Israel (Jacó) quando subia do Egito com milhares de mulheres, crian√ßas e idosos, um povo nômade, sem lar fixo onde repousar e fatigado de peregrinar pelo deserto. Os amalequitas atacaram exatamente essa parcela mais fraca e vulner√°vel, o que despertou a ira do Senhor.

A semente amaldi√ßoada de Amaleque se levantou de gera√ß√£o a gera√ß√£o para destruir Israel, conforme profetizado, após o povo ter se assentado na Terra Prometida. Isso ocorreu no tempo dos Ju√≠zes, nos reinados de Saul e Davi, e durante o império persa na figura repugnante de Ham√£, um dos piores descendentes de Amaleque. Seria invi√°vel expor cada um desses confrontos nessas poucas linhas. Todavia, o ódio de Amaleque esteve presente n√£o apenas nas p√°ginas da B√≠blia, mas emergiu ao longo da História. Em todos os cap√≠tulos dessa guerra, os amalequitas foram neutralizados ou destru√≠dos e Israel preservado.

Por outro lado, a despeito das vitórias e livramentos de Israel, esse ódio nunca cessou, pois, ainda que morram os amalequitas em uma gera√ß√£o, o esp√≠rito de Amaleque permanece e é contra ele que o Senhor promete guerrear. Os maiores inimigos de Israel na atualidade s√£o dominados por esse mesmo esp√≠rito e descendem da semente natural de Amaleque. Isso explica o ódio inexplic√°vel do Hamas contra Israel. Isso explica as cenas de horrores que acompanhamos nos vilarejos do sul, próximo a Gaza, após a invas√£o dos terroristas.

O que o Hamas fez contra os judeus no Shabbat de Simchat HaTorah foi exatamente o que seus antepassados fizeram h√° mil√™nios contra o povo indefeso que atravessava o Sinai. Foi o mesmo ataque sórdido e covarde ao pegar de surpresa os judeus em suas casas, ainda bem cedo, dormindo numa manh√£ de Shabbat. Os terroristas do Hamas s√£o os amalequitas de hoje que feriram e mataram "na tua retaguarda" (sul do pa√≠s) "todos os fracos que iam atr√°s de ti" (beb√™s indefesos, crian√ßas, mulheres e idosos, muitos deles doentes e deficientes f√≠sicos); que violentaram mulheres e levaram muitos cativos para seu território; e que "n√£o temeram a Deus".

Foi esse mesmo n√≠vel de crueldade e covardia que suscitou a ira de Deus contra Amaleque no Sinai. Essa é uma guerra permanente e espiritual. Enquanto Josué pegava em armas no dom√≠nio f√≠sico, Moisés combatia com outras armas mais poderosas, em um n√≠vel mais elevado, no dom√≠nio espiritual. Enquanto as For√ßas de Defesa de Israel combatem seus inimigos no f√≠sico, como instrumento natural de Deus para derrot√°-los, todos os que amam Israel e o Deus de Israel precisam combater como Moisés, pois essa é uma guerra espiritual. E é contra esse esp√≠rito maligno que o Senhor prometeu fazer guerra "de gera√ß√£o a gera√ß√£o" até "riscar totalmente a memória de Amaleque de debaixo dos céus".

Get√ļlio Cidade é escritor, tradutor e hebra√≠sta, autor do livro A Oliveira Natural: As Ra√≠zes Judaicas do Cristianismo e do blog www.aoliveiranatural.com.br



Fonte: Guia Me

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