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Encontro nas alturas

Uma jovem com coração partido tem uma experiência impactante no 11º andar

Por Equipe G. Gospel em 14/06/2020 às 13:32:02

Aninha estava na sacada do seu apartamento, no décimo quinto andar, onde os ventos estavam balançando de forma impactante seus cabelos longos loiros.

O rebuliço nos fios dos cabelos era a metáfora do que estava acontecendo com suas emoções. Pensamentos que não aproximavam mais do equilíbrio e sentimentos que se aproximavam do desespero de quem estivesse num penhasco rejeitando a asa delta para conhecer a paisagem, optando virar as costas para o horizonte de possibilidades.

Ela esperou a irmã mais velha, Laura, 18 anos, sair para as aulas de inglês. Eram 17h30 da tarde. Sua mãe tinha saído para encontrar com seu pai na empresa, de onde sairiam para fazer compras.

_ Vamos, Aninha, fazer compras?
_ Não mãe, me deixe quieta.

Após fechar a porta do quarto, dona Rose, dentro dos seus 45 anos de vida e 15 como mãe de Aninha, não sabia mais o que fazer para vê-la ser aquela menina feliz e espontânea como na infância.
Rose tinha muitos receios de propor novamente uma ajuda à filha, depois de ouvir vários "nãos" e "você não tem nada com isso".

Era claro que tinha. Uma menor de idade e Rose, mesmo não sendo de uma geração como a de Aninha, sabia que naquela idade passou também por dúvidas quanto ao gostar ou não de meninos mais novos ou mais velhos, de gostar ou não de estudar matemática ou português, de gostar ou não gostar de namorar.

Aninha tinha namorado em família uma única vez, quando apresentou Robinho numa festa de aniversário de 15 anos da prima Pâmela. Ela o conheceu nos corredores do colégio. Ambos estavam no ensino médio. Ela estava no terceiro ano e Robinho no segundo e uma amiga em comum os apresentaram e a partir dali não se desgrudaram mais durante o recreio. Ele sempre a levava até a portaria do edifício comercial onde o pai dela trabalhava, a fim de que o sogro a levasse de carona para casa.

Antes de Robinho, Aninha ficava com outros garotos nas festinhas do condomínio, nos bailinhos nas casas das amigas, entre outras ocasiões em que galera estava se reunindo. Ela não gostava de beber, embora soubesse o sabor do vinho, da cerveja, da vodka e da cachaça que experimentou no restinho do copo do avô.

Aninha pensava sobre como tudo estava desconexo, embora 30 dias antes, estava tudo dentro de um sonho construído com muito amor.

Naquela festa de 15 anos, ela dançou valsa com Robinho e no meio do salão, Pâmela saiu dos braços do pai e veio sorrindo e, numa espontânea demonstração de celebração, Aninha soltou os braços do namorado. Pâmela o encontrou para dançar aquela valsa e os sorrisos entre os dois, a partir dali, seriam na mesma proporção de vezes que, mais tarde, seriam as de choros de Aninha.

Pois, ela descobriu, por meio de uma foto enviada por uma amiga pelo whatsapp, que os dois estavam juntos dentro da sala de cinema. Eles beijavam-se tão intensamente que não perceberam o flash da câmera do celular da menina que estava na fila de baixo.

Aninha estava pensando nos porquês. Não tinha como ter respostas para quem não tinha outras experiências de superação na vida afetiva capaz de servir de suporte para sugestioná-la uma decisão saudável.

Apenas sentia uma intensa amargura de decepção e de angústia que apertavam aquele coração adolescente, acelerado pela adrenalina cada vez mais injetada na sua corrente sanguínea, toda vez que pensava em se jogar da janela

Ela queria acabar de vez com aquela dor na alma, de acordo com a sua primeira ideia, quando estava deitada e reviu mais uma vez aquela foto do cinema.

Ela arrastou uma poltrona da sala até a janela. Subiu nela e teve uma percepção vertical da distância daqueles onze andares de altura mais os dois de estacionamento que davam para a calçada de uma das principais ruas comerciais da cidade.

Uma senhora, que estava naquele momento limpando os vidros da janela do quarto da patroa, que morava no oitavo andar do edifício que ficava há cerca de 20 metros, do outro lado da rua, percebeu que não era normal uma jovem em pé no parapeito, descalça segurando-se com as mãos nas extremidades da janela.

Dona Zuleica gritou. Mas, os ruídos das buzinas e motores não poderiam permitir que os ouvidos de Aninha surdos para a vida e abertos para a voz da morte pudessem ouvir.

Ela trocou o grito em vão por uma prece em nome de Jesus para que Deus pudesse salvar aquela jovem de se lançar para o impacto escandaloso do suicídio.

_Meu Deus, só o Senhor Jesus pode salvar aquela jovem! Ela quer se matar, Senhor! Não a deixe! Não permita! Impeça, Senhor, com tuas mãos invisíveis!

Enquanto as lágrimas escorriam dos rostos de dona Zuleica e de Aninha, um vento mais forte levou uma mensagem invisível, audível apenas para a alma: _Filha, eu te amo!

Em centésimo de segundos, Aninha se viu deitada na calçada com uma poça de sangue e uma multidão de curiosos ao seu redor, inclusive sua irmã e seus pais em desespero.

Aninha sabia que aquela voz era de Deus, o mesmo que um dia ela tinha adorado na igreja que o avô freqüentava. Homem alcoólatra que após quebrar a ficha depois de 5 anos no Alcoólicos Anônimos (A.A.) em recuperação, decidiu aceitar Jesus quando aguardava socorro depois de ter sido atropelado por uma moto enquanto andava em zig-zag e caiu na rua bêbado.

_Deus salvou meu avô! Deus me salvou!

Aninha desceu do parapeito. O sorriso de dona Zuleica renasceu em meio à face molhada de choro, agora lágrimas de alegria.

Aninha entrou no quarto, pegou seu celular e apagou a conversa da amiga que tinha enviado aquela foto e que tinha conversas e áudios sobre o que Robinho e Pâmela fizeram para ela.

Aninha entrou no aplicativo de música do smartphone, procurou a música que seu avô disse ter sido a que mais tinha lhe falado sobre o amor de Jesus Cristo no leito do hospital, quando uma amiga ao visitá-lo, colocou baixinho para ele ouvir.

Os pais chegaram pedindo ajuda para pegar as bolsas que estavam no elevador, a irmã chegou cantando uma música em inglês e Aninha estava arrumada, cabelos loiros presos, maquiagem leve e sorriso espontâneo. Sua expressão era de quem tinha tirado uma tonelada das costas e experimentado o fardo leve e o jugo suave de Jesus.

_ Gente, estou de saída, tá?
_Minha filha, ajuda sua mãe.
_Chama a Mariana, porque agora estou indo na casa do vô Gino. Fui.

Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.
Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas.
Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.

Mateus 11:28-30

Anderson Heiz - Jornalista, MBA em Administração e Marketing, Poeta, Psicanalista, Coach e Terapeuta em Florais de Bach

Revisão - Caroline Rodrigues - Bacharel em Comunicação Social e graduando em Letras.

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